Registo Civil

«Architects 'are sexiest', but they prefer Lawyers.»




(Gentilmente recebido por mail.)

Ora aí está uma coisa que me chateou o fim de semana inteiro. Foi das maiores burlas sub-5€ de que fui vítima.

O exercício é simples: sentam-se alguma crianças numa cadeira e coloca-se uma goma à sua frente. Podem comê-la imediatamente ou esperar e, nesse caso, recebem como recompensa outra goma. Os resultados são, no mínimo, divertidos:



Este vídeo é dedicado ao meu primo Paulinho, que anda muito preocupado com as condicionantes da acção humana.

Numa semana em que a Bíblia esteve no epicentro das notícias, é editada a "Bíblia para todos", uma nova tradução para um português "simples, limpo, acessível". Uma excelente prenda de Natal para o Francisco.


A propósito desta nova edição, lembro-me deste texto de George Steiner:

Aquilo que tendes na mão não é um livro. É o livro. É isso, evidentemente, o que «Bíblia» quer dizer. É ela o livro que, e não apenas para a humanidade ocidental, define o conceito de um texto. Todos os nossos outros livros, por muito diferentes que sejam no tema ou no método, se relacionam, ainda que indirectamente, com este livro dos livros. Relacionam-se com os factos do discurso articulado, do texto ao leitor, à confiança nos significados lexicais, gramaticais e semânticos, que a Bíblia origina e desenvolve, a um nível e com uma prodigalidade nunca superados. Todos os outros livros, sejam eles histórias, narrativas do imaginário, códigos civis, tratados morais, poemas líricos, diálogos dramáticos, meditações teológico-filosóficas, são como centelhas, muitas vezes, obviamente, distantes, lançadas pelo sopro incessante de um fogo central. No Ocidente, mas também em outras partes do planeta para onde o «Livro Bom» foi levado, a Bíblia informa abundantemente acerca da nossa identidade histórica e social.

Agrada-me particularmente usar a palavra "pifo" para descrever um estado geral de embriaguez. Há uma certa brutalidade no termo, uma evocação primária e básica do humano. No entanto encerra um certo carinho, como se fosse engraçado, jovial e inocente. Quem "apanha um pifo", por mais pequeno que seja, cambaleia soteriologicamente (isto existe?) sobre uma ascética ética hedonista (soa tão mal - sim, este blogue preocupa-se com a fonética), procurando, de forma indelével, a maximização do prazer e a minimização do sofrimento na existência humana. Uma procura de redenção.

















Um beijinho para o Google, que me poupa horas de pesquisa de soluções para problemas espinhosos.

O advogado Larry Lessig (um dos mais importantes juristas de Direitos de Autor e criador da Creative Commons) explica como um pouco de bom senso pode alterar o modo como a Lei olha para a Internet, de modo a revitalizar a "Read-Write Culture".



Já falei destes assuntos aqui e aqui.

Depois de ter anunciado o meu regresso há cinco dias atrás, volto a proclamar o meu regresso ao regresso (a fobia do "post que se segue" está a dar cabo de mim). Estou a apanhar-lhe o jeito.

Voltar é difícil. Desde tempos ancestrais que quem regressa tem que passar pelo frete de explicar por que é que volta, por que partiu, o que andou a fazer e se lavou os dentes todos os dias ou se não falou com estranhos. Volto por isso, à adolescente, ao Registo Civil (confesso que já tinha saudades vossas, caros três leitores e doze pesquisas do Google), de madrugada, silenciosamente e batendo a porta devagar para não acordar ninguém. Vou dormir. Amanhã falamos.

A maçã (sobre a Apple), genialmente e devidamente citado pelo Juca.

O resultado do Partido Pirata sueco nas últimas Eleições Europeias ajuda a sedimentar um movimento de contestação a actual modelo de protecção dos Direitos de Autor, que não pode ser ignorado. Como defendi neste texto, talvez a resolução do problema passe por uma mudança no modelo de negócio das editoras. É certo que a validade das normas não pode ser avaliada pela sua eficácia, no entanto, a violação sistemática e generalizada é um indício de um desequilibro entre autores e utilizadores.

É certo que a Internet é um pau de dois bicos: se por um lado potencia a pirataria das obras, também permite uma divulgação promoção de bandas e músicas, como nunca foi possível. Por isso parece-me um pouco falacioso o argumento de que a pirataria não permite o aparecimento de novos artistas. Na última semana, o valter hugo mãe e o Lourenço Cordeiro, dois bloggers que sigo, apresentaram-se com as suas bandas. O sucesso de In Rainbows dos Radiohead nos Estados Unidos da América (vendido pela Internet, em que os utilizadores escolhiam o que queriam pagar) marcou o maior sucesso da banda desde Kid A. Assim, não há dúvida que a Internet tem que ser vista como uma oportunidade e importa desenvolver o negócio na rede, em vez de focar a defesa dos Direitos de Autor na criminalização dos utilizadores.

















Se estiverem em Lisboa e não tiverem nada que fazer, os trêsporcento apresentam o seu primeiro EP (escutável aqui). Tiago Esteves (voz/guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho baixo), e Pedro Pedro (bateria) vão estar hoje no Santiago Alquimista, pelas 22h.


É curioso reparar como a Internet potencia toda uma serie de "fazer coisas". Eu próprio pedi a sua ajuda e ela - sempre com lugar para todos - lá me arranjou eum espaço para mostrar as minhas fotografias. Por isso, temos todos que agradecer à Internet, porque ela é nossa amiga e é importante não a dar como adquirida, e dizer-lhe todos os dias como gostamos dela.

Acabou de sair o primeiro tema do projecto Governo, cujo vocalista é valter hugo mãe. Já ouvi a música algumas vezes e gostei muito. É curioso notar como a voz o valter se prepara para cantar. Parece-me que veste um certa dramaticidade, que não tem quando fala. Parabéns valter, António Rafael, Miguel Pedro – ambos dos mão morta –, e Henrique Fernandes - dos mécanosphère.

Aproveitando a felicidade de poder escrever no blogue, gostaria de vos recomendar alguns albuns que tenho ouvido. São eles:

St. Vincent - Actor;
Metric - Fantasies;
Animal Collective - Merriweather Post Pavilion;
Deerhunter - Microcastle;
Andrew Bird - Noble Beast;
The Whitest Boy Alive - Rules;
The Pains of Being Pure at Heart - The Pains of Being Pure at Heart;
Vashti Bunyan - Just Another Diamond Day.

Nem tudo o que está cá poderia levar o rótulo "novo", mas são certamente escolhas de muito bom gosto musical, polivalentes, podendo jogar no centro ou nas alas, estejam à vontade.


Gonçalo

  • registocivil[coiso]gmail.com

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