O Intendente não se tem manifestado nos últimos meses, mas há alguns blogues novos que se juntaram às leituras e à lista de links, outros, já veteranos, que se redescobrem: Asterisco, gxxvn (belissimas fotos), Sala de fumo (um conceito muito interessante), Terapia metatísica (lindo lindo lindo) e o Velhinho (o sacana do Velho, como diz a filigraana, tem mesmo jeito).
Por outro lado, a Helena acabou o Tristes tópicos, um blogue que também acompanhava desde sempre e com o qual aprendi a pôr música no blogue.
Por outro lado, a Helena acabou o Tristes tópicos, um blogue que também acompanhava desde sempre e com o qual aprendi a pôr música no blogue.
Este blogue não vai ter férias marcadas. Já há quem admita que o horário de trabalho de um blogger possa ser de 24 horas.
:: 21:22 :: 0 Comentários
Sou uma pessoa picuinhas. Quando compro alguma coisas (sobretudo livros) tenho que me certificar que o objecto está impecável. Encapo todos os meus códigos, mas antes reforço as pontas com fita-cola. Os meus livros estão organizados por tamanhos e não por temas. Demoro muito mais tempo a estudar qualquer coisa, porque tenho que sublinhar tudo com régua. No blogue, tenho sempre o cuidado de ter bastante texto entre imagens ou vídeos, creio que fica mais bonito. Como o post imediatamente abaixo é um vídeo e eu quero publicar uma imagem, tenho que arranjar algum texto decente para pôr no meio:
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Sim, também achei muito interessante.
Muita gente se irritava com Otis, quando ele usava expressões como «creio que» ou «acho que sim», em respostas que se pretendiam claras e determinadas. É que Otis sempre reservou uma boa dose de intervenção divina nas suas afirmações.
É uma das primeiras lições para um advogado que queira trabalhar com processos penais: se o advogado (de defesa) se dá conta que o seu cliente (um patife da pior espécie e, garanto-vos que, nestes casos, a realidade ultrapassa a própria imaginação) pode ser absolvido devido a certas actuações da Acusação. Aproveitando-se disso, o advogado deve montar a sua estratégia para explorar esses erros. Quem falhou foi a Acusação, ao não reunir outros tipos de prova que permitissem a condenação. E neste mundo, já ninguém tem que perdoar os erros da Acusação. Como dizia Jorge Perestrelo, «Até eu, com a minha barriguinha, chegava lá e facturava!»
Sente-se.
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode ligar o iPod, mas baixinho.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.
Você é um blogger.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então Repito: você é um blogger. Um blogger.
B como Byte;
L como Login;
O como Outlook;
G como Google;
outro G como Gigabyte;
E como Excel;
R como retroceder.
Blogger.
Por favor não me bana.
Não deve banir-me.
Você é um blogger.
Não post nada.
Não venha com youtube’s.
Você é um blogger.
Publish.
Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um blogger.
Pergunte pois aos seus amigos no Messenger.
Se você não é um blogger...
claro, a você não lho dirão, porque você começaria apagar links como todos os bloggers.
Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um blogger.
É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o Blogger negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um blogger de que é um Blogger.
É francamente fatigante.
Como vê, preciso mandar mais do que um e-mail a dizer que você é um Blogger e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a blogosfera sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um blogger.
Faça favor, não se console a dizer que há outros Bloggers: Você é um Blogger.
De resto isso não é grave.
É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de Blogger você não precisa de se preocupar com mais nada.
E você é Blogger.
(Formidável, não acha?)
Adaptação minha de um poema formidável de Bertolt Brecht.
Terça-feira, Julho 17 :: 23:06 :: 0 Comentários Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode ligar o iPod, mas baixinho.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.
Você é um blogger.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então Repito: você é um blogger. Um blogger.
B como Byte;
L como Login;
O como Outlook;
G como Google;
outro G como Gigabyte;
E como Excel;
R como retroceder.
Blogger.
Por favor não me bana.
Não deve banir-me.
Você é um blogger.
Não post nada.
Não venha com youtube’s.
Você é um blogger.
Publish.
Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um blogger.
Pergunte pois aos seus amigos no Messenger.
Se você não é um blogger...
claro, a você não lho dirão, porque você começaria apagar links como todos os bloggers.
Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um blogger.
É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o Blogger negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um blogger de que é um Blogger.
É francamente fatigante.
Como vê, preciso mandar mais do que um e-mail a dizer que você é um Blogger e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a blogosfera sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um blogger.
Faça favor, não se console a dizer que há outros Bloggers: Você é um Blogger.
De resto isso não é grave.
É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de Blogger você não precisa de se preocupar com mais nada.
E você é Blogger.
(Formidável, não acha?)
Adaptação minha de um poema formidável de Bertolt Brecht.
O Miniscente fez ontem quatro anos. Nem vale a pena tecer muitos elogios, porque o Miniscente é, todos o sabem, um dos melhores blogues portugueses. No texto que escreveu neste quarto aniversário do seu blogue, disse Luís Carmelo: «um dia, tal como começou, o Miniscente há-de acabar». Achei muito interessante: creio que é muito bom quando se tem coragem de acabar com processos que nos deram tanto trabalho a conseguir.
Ainda uma síntese do que é trabalhar num blogue: «contudo, o trabalho a bordo de um blogue, se bem que movido pela compulsão e por hábitos de permanente e actualizada inscrição, é sempre um trabalho que deverá concordar com o prazer. Com uma bitola mínima povoada pelo lúdico, pela liberdade de edição, pela manobra pouco calculista, pelo assombro da espontaneidade, pelo dislate irreparável, pela ostensão desnecessária, pela exposição pura e simples. Sem medos.»
Parabéns ao Luís e ao Miniscente.
Ainda uma síntese do que é trabalhar num blogue: «contudo, o trabalho a bordo de um blogue, se bem que movido pela compulsão e por hábitos de permanente e actualizada inscrição, é sempre um trabalho que deverá concordar com o prazer. Com uma bitola mínima povoada pelo lúdico, pela liberdade de edição, pela manobra pouco calculista, pelo assombro da espontaneidade, pelo dislate irreparável, pela ostensão desnecessária, pela exposição pura e simples. Sem medos.»
Parabéns ao Luís e ao Miniscente.
Percorro rapidamente o meu blog e noto que, realmente, está um espectáculo de variedades. Gosto.
Sábado, Julho 14 :: 14:09 :: 0 Comentários
Olha, o Blogger faz massagens. Ainda me estou a adaptar à versão francesa.
:: 14:01 :: 2 Comentários
Do lado direito da mesa, Fédon de Platão, O Doutor Jivago de Boris Pasternak e Mao de Jung Chang e Jon Halliday. Do lado esquerdo, o Código Civil, vários autores.
Quinta-feira, Julho 12 :: 21:22 :: 0 Comentários
Seguindo a sugestão de Vasco M Barreto, os anónimos deste blog passarão a chamar-se Melchior e Otis.
Os anónimos são figuras constantes do universo deste blog. Como o Vasco já adivinhara, faço-o para proteger a sua identidade. No entanto, nunca fiz corresponder a inicial ao verdadeiro nome. Tudo isto no intuito de provocar esgotamentos ao leitores.
Como no MI, estes nomes não querem dizer nada. Podem ser a senhora resmungona do autocarro, como o meu amigo Francisco. O seu género não impedirá de os usar em senhoras, pelo que também podem ser a minha amiga Patrícia ou o Josh Holloway. Tudo para vosso conforto, livrando-vos do acessório e da cusquice.
Em breve, os retratos possíveis de Melchior e Otis.
Os anónimos são figuras constantes do universo deste blog. Como o Vasco já adivinhara, faço-o para proteger a sua identidade. No entanto, nunca fiz corresponder a inicial ao verdadeiro nome. Tudo isto no intuito de provocar esgotamentos ao leitores.
Como no MI, estes nomes não querem dizer nada. Podem ser a senhora resmungona do autocarro, como o meu amigo Francisco. O seu género não impedirá de os usar em senhoras, pelo que também podem ser a minha amiga Patrícia ou o Josh Holloway. Tudo para vosso conforto, livrando-vos do acessório e da cusquice.
Em breve, os retratos possíveis de Melchior e Otis.
Num zapping blogosférico, encontrei um post num blogue (já não me lembro do nome), em que o blogger queixava-se que ainda ninguém tinha dito algo verdadeiramente reconfortante sobre a morte.
Sobre o assunto, lembro-me sempre de uma passagem do Fédon, em que Sócrates diz aos seus amigos, que o visitavam na prisão:
Que coisa estranha, amigos, esta sensação a que os homens chamam prazer! É espantoso como naturalmente se associa ao que passa por ser o seu contrário, a dor! Ambos se recusam a estar presentes ao mesmo tempo no mesmo homem; e todavia, se alguém persegue e alcança um deles, é quase certo e sabido que acaba por alcançar o outro, como dois seres que estivessem ligados por uma só cabeça. Julgo mesmo — prosseguiu — que, se Esopo tivesse pensado nisto, não teria deixado de compor uma fábula a contar como a divindade, desejando dissuadi-los de se guerrearem, mas não logrando conciliá-los, lhes uniu as cabeças numa só — por tal forma que, onde quer que um deles apareça, logo o outro lhe vem atrás. Ora estou em crer que é também o que se passa comigo: à sensação de dor que as grilhetas me provocavam na perna, é agora o prazer que manifestamente lhe vem no encalço...
Sobre o assunto, lembro-me sempre de uma passagem do Fédon, em que Sócrates diz aos seus amigos, que o visitavam na prisão:
Que coisa estranha, amigos, esta sensação a que os homens chamam prazer! É espantoso como naturalmente se associa ao que passa por ser o seu contrário, a dor! Ambos se recusam a estar presentes ao mesmo tempo no mesmo homem; e todavia, se alguém persegue e alcança um deles, é quase certo e sabido que acaba por alcançar o outro, como dois seres que estivessem ligados por uma só cabeça. Julgo mesmo — prosseguiu — que, se Esopo tivesse pensado nisto, não teria deixado de compor uma fábula a contar como a divindade, desejando dissuadi-los de se guerrearem, mas não logrando conciliá-los, lhes uniu as cabeças numa só — por tal forma que, onde quer que um deles apareça, logo o outro lhe vem atrás. Ora estou em crer que é também o que se passa comigo: à sensação de dor que as grilhetas me provocavam na perna, é agora o prazer que manifestamente lhe vem no encalço...
Deus anda muito por cá. Creio que se começa a gerar um conflito de interesses.
:: 16:24 :: 0 Comentários
Deus deve usar um imenso gestor de RSS. Descobri essa maravilha recentemente e é limpinho, controlo-vos a todos.
:: 00:46 :: 0 Comentários
O que mais me assusta na ideia de morte é que não vou ter tempo de ler todos os livros que quero.
(Lá vem o pseudo intelectual, afirma o Zé.)
:: 20:22 :: 0 Comentários (Lá vem o pseudo intelectual, afirma o Zé.)
Não é que leia pouco. Aliás, passo quase todo o tempo a ler, mas coisas do género "O novo Regime do Processo nos Tribunais Administrativos", "Direito do Trabalho", "Das Obrigações em geral", e outras coisas dignas de um pianista num bordel, como dizia o Pedro Mexia há uns anos.
Uma das coisas mais impressionantes que a minha educação católica me ensinou foi perdoar o parvalhão que me chateia a cabeça. Para mim, isso às vezes é tão difícil que desenvolvi uma solução alternativa. O amuo. Ao amuar, não tinha que falar ou/e ouvir e, basicamente, desaparecia.
Unless.
Unless unless unless.
What if you were to hate the person on the other end of the arm? I mean really, really hate them.
Hugh Laurie, The Gun Seller, 1996
:: 00:10 :: 0 Comentários Unless unless unless.
What if you were to hate the person on the other end of the arm? I mean really, really hate them.
Hugh Laurie, The Gun Seller, 1996
O Courrier Internacional desta semana traz dois textos muito importantes. O primeiro, que faz capa, fala sobre as dificuldades dos trabalhadores mais precários no mercado de trabalho japonês. Se Marx acusava o Sistema Capitalista de tratar o trabalhador como uma mercadoria, já há quem diga, com uma certa ironia, que quem dera a muitos trabalhadores serem tratados como algumas mercadorias. Creio que começa a surgir a necessidade de novos equilíbrios. Esperemos por próximos episódios.
O segundo texto é da autoria de um ex-membro do grupo Al-Muhajiroun, fundado por Ornar Bakri Mohammed, um grupo extremista islâmico em Inglaterra. Defensor das «acções mártires» durante muito tempo, hoje renunciou à violência. Hassan Butt explica como é fundamental tratar as interpretações da teologia do Islão, que considera anacrónicas. Confesso que sei muito pouco do tema, mas o aviso de Hassan Butt parece-me pertinente, por isso transcrevo o texto (apesar de um pouco longo para blog), que é publicado no Courrier Internacional, versão portuguesa, n,º 118 (6 a 18 de Junho), pag. 19:
Quando eu ainda era membro daquilo a que se pode chamar Rede dos Jihadistas Britânicos [BJN, na sigla inglesa], um leque de grupos terroristas britânicos semiautónomos, unidos pela mesma ideologia, felicitávamo-nos sempre que alguém afirmava, na TV, que a política externa do Ocidente era a única causa de atentados islamitas como os do 11 de Setembro, os de Madrid e os de Londres. Ao responsabilizarem o Governo pelos nossos actos, os que defendiam a teoria das «bombas de Blair» faziam-nos propaganda. Sobretudo, impediam qualquer análise crítica do verdadeiro motor da nossa violência: a teologia islâmica.
Como em anteriores atentados, há quem regresse à antena e defenda que os actos de violência cometidos por muçulmanos são indissociáveis da política externa. A 30 de Junho, o presidente da Câmara de Londres, Ken Livingstone, declarou na Radio 4 que «todas as informações de que dispomos sobre a opinião da juventude muçulmana desencantada mostram isso. O principal motor não é o Afeganistão, é o Iraque». Livingstone recusou-se a reconhecer o papel da ideologia islamita no terrorismo e acrescentou que os Irmãos Muçulmanos e aqueles que dão caução religiosa aos atentados suicidas na Palestina são verdadeiros representantes do Islão. Saí da BJN em Fevereiro de 2006, mas, se continuasse a bater-me pela sua causa, felicitar-me-ia uma vez mais. Mohamed Sidique Khan, principal responsável pelos atentados de 7 de Julho de 2005, era, como eu, membro da BJN. Encontrei-o duas vezes apesar de muitos extremistas britânicos se exasperarem devido à morte de outros muçulmanos no mundo, o que nos levava a preparar acções terroristas extremas na nossa pátria e no estrangeiro era o sentimento de que lutávamos pela criação de um Estado revolucionário que acabaria por trazer ao mundo a justiça islâmica. Hoje, ao contrário da sua equivalente cristã, a teologia islâmica não considera a separação entre religião e Estado. Estado e religião são encarados como uma e a mesma coisa. A reflexão dos juristas muçulmanos, que remonta a vários séculos, estende-se à cena internacional, na qual as regras da interacção entre o «Dar ul-Islam» (Terra do Islão) e o «Dar ul-Kufr» (Terra dos infiéis) abrangem quase tudo o que diz respeito ao comércio, à paz e à guerra.
Radicais e extremistas estão a ultrapassar duas etapas suplementares na aplicação destes princípios. Na primeira, concluíram que, uma vez que não há nenhum Estado islâmico, todo o mundo é «Dar ul-Kufr». Segunda etapa: visto que o Islão deve fazer guerra aos infiéis, declararam guerra ao mundo inteiro. Muitos dos meus ex-camaradas e eu aprendemos com pregadores radicais paquistaneses e britânicos que, graças a esta redefinição do globo enquanto Terra da guerra («Dar ul-Harb»), todos os muçulmanos estão autorizados a espezinhar o carácter sagrado dos cinco direitos que o Islão concede aos humanos: vida, prosperidade, terra, espírito e fé. No «Dar ul-Harb», vale tudo, incluindo a traição e a cobardia que os atentados contra civis constituem.
Fugir de um tema difícil
Esta visão de um campo de batalha planetário suscitou fricções entre os muçulmanos da Grã-Bretanha. Há décadas que os extremistas exploram estas tensões entre teologia e Estado laico moderno, iniciando os debates com a pergunta: «És britânico ou muçulmano?». Mas a principal razão pela qual os radicais conseguiram alargar a base de recrutamento reside no facto de a maioria das instituições muçulmanas inglesas não querer, pura e simplesmente, falar de teologia.
Recusam-se a abordar o tema difícil e complexo da violência no seio do Islão e limitam-se a repetir a frase mágica: o Islão é uma religião de paz.
Concentram-se na vivência pessoal da fé, enquanto rezam para que todo este debate desapareça só por si. O que deixou o campo das ideias para os radicais. Enquanto antigo agente de recrutamento extremista, estou bem colocado para saber isto, porque, de cada vez que as autoridades de uma mesquita nos excluíam, isso parecia-nos uma vitória moral e religiosa.
Devido a esta recusa de confrontar argumentos teológicos que datam de há séculos, as tensões entre a teologia muçulmana e o mundo moderno não param de aumentar. Talvez isto seja difícil de engolir, mas Abu Qata-da da Al-Qaeda na Europa, detido no Reino Unido desde 2005] encontra quem o siga porque a sua erudição é espantosa e porque os seus decretos religiosos estão cuidadosamente alicerçados. As suas opiniões, que hoje reprovo sem reservas, são válidas no contexto geral das regras do Islão.
Se o país quiser fazer frente aos extremistas, os eruditos muçulmanos deverão voltar a mergulhar nos textos e propor um cânone repensado, uma nova interpretação dos direitos e responsabilidades dos muçulmanos. Talvez venhamos a descobrir que o conceito de assassínio pelo Islão não passa de um anacronismo.
Hassan Butt
Ex-membro do grupo Al-Muhajiroun, fundado por Ornar Bakri Mohammed. Defensor das «acções mártires» durante muito tempo, hoje renunciou à violência.
O segundo texto é da autoria de um ex-membro do grupo Al-Muhajiroun, fundado por Ornar Bakri Mohammed, um grupo extremista islâmico em Inglaterra. Defensor das «acções mártires» durante muito tempo, hoje renunciou à violência. Hassan Butt explica como é fundamental tratar as interpretações da teologia do Islão, que considera anacrónicas. Confesso que sei muito pouco do tema, mas o aviso de Hassan Butt parece-me pertinente, por isso transcrevo o texto (apesar de um pouco longo para blog), que é publicado no Courrier Internacional, versão portuguesa, n,º 118 (6 a 18 de Junho), pag. 19:
Quando eu ainda era membro daquilo a que se pode chamar Rede dos Jihadistas Britânicos [BJN, na sigla inglesa], um leque de grupos terroristas britânicos semiautónomos, unidos pela mesma ideologia, felicitávamo-nos sempre que alguém afirmava, na TV, que a política externa do Ocidente era a única causa de atentados islamitas como os do 11 de Setembro, os de Madrid e os de Londres. Ao responsabilizarem o Governo pelos nossos actos, os que defendiam a teoria das «bombas de Blair» faziam-nos propaganda. Sobretudo, impediam qualquer análise crítica do verdadeiro motor da nossa violência: a teologia islâmica.
Como em anteriores atentados, há quem regresse à antena e defenda que os actos de violência cometidos por muçulmanos são indissociáveis da política externa. A 30 de Junho, o presidente da Câmara de Londres, Ken Livingstone, declarou na Radio 4 que «todas as informações de que dispomos sobre a opinião da juventude muçulmana desencantada mostram isso. O principal motor não é o Afeganistão, é o Iraque». Livingstone recusou-se a reconhecer o papel da ideologia islamita no terrorismo e acrescentou que os Irmãos Muçulmanos e aqueles que dão caução religiosa aos atentados suicidas na Palestina são verdadeiros representantes do Islão. Saí da BJN em Fevereiro de 2006, mas, se continuasse a bater-me pela sua causa, felicitar-me-ia uma vez mais. Mohamed Sidique Khan, principal responsável pelos atentados de 7 de Julho de 2005, era, como eu, membro da BJN. Encontrei-o duas vezes apesar de muitos extremistas britânicos se exasperarem devido à morte de outros muçulmanos no mundo, o que nos levava a preparar acções terroristas extremas na nossa pátria e no estrangeiro era o sentimento de que lutávamos pela criação de um Estado revolucionário que acabaria por trazer ao mundo a justiça islâmica. Hoje, ao contrário da sua equivalente cristã, a teologia islâmica não considera a separação entre religião e Estado. Estado e religião são encarados como uma e a mesma coisa. A reflexão dos juristas muçulmanos, que remonta a vários séculos, estende-se à cena internacional, na qual as regras da interacção entre o «Dar ul-Islam» (Terra do Islão) e o «Dar ul-Kufr» (Terra dos infiéis) abrangem quase tudo o que diz respeito ao comércio, à paz e à guerra.
Radicais e extremistas estão a ultrapassar duas etapas suplementares na aplicação destes princípios. Na primeira, concluíram que, uma vez que não há nenhum Estado islâmico, todo o mundo é «Dar ul-Kufr». Segunda etapa: visto que o Islão deve fazer guerra aos infiéis, declararam guerra ao mundo inteiro. Muitos dos meus ex-camaradas e eu aprendemos com pregadores radicais paquistaneses e britânicos que, graças a esta redefinição do globo enquanto Terra da guerra («Dar ul-Harb»), todos os muçulmanos estão autorizados a espezinhar o carácter sagrado dos cinco direitos que o Islão concede aos humanos: vida, prosperidade, terra, espírito e fé. No «Dar ul-Harb», vale tudo, incluindo a traição e a cobardia que os atentados contra civis constituem.
Fugir de um tema difícil
Esta visão de um campo de batalha planetário suscitou fricções entre os muçulmanos da Grã-Bretanha. Há décadas que os extremistas exploram estas tensões entre teologia e Estado laico moderno, iniciando os debates com a pergunta: «És britânico ou muçulmano?». Mas a principal razão pela qual os radicais conseguiram alargar a base de recrutamento reside no facto de a maioria das instituições muçulmanas inglesas não querer, pura e simplesmente, falar de teologia.
Recusam-se a abordar o tema difícil e complexo da violência no seio do Islão e limitam-se a repetir a frase mágica: o Islão é uma religião de paz.
Concentram-se na vivência pessoal da fé, enquanto rezam para que todo este debate desapareça só por si. O que deixou o campo das ideias para os radicais. Enquanto antigo agente de recrutamento extremista, estou bem colocado para saber isto, porque, de cada vez que as autoridades de uma mesquita nos excluíam, isso parecia-nos uma vitória moral e religiosa.
Devido a esta recusa de confrontar argumentos teológicos que datam de há séculos, as tensões entre a teologia muçulmana e o mundo moderno não param de aumentar. Talvez isto seja difícil de engolir, mas Abu Qata-da da Al-Qaeda na Europa, detido no Reino Unido desde 2005] encontra quem o siga porque a sua erudição é espantosa e porque os seus decretos religiosos estão cuidadosamente alicerçados. As suas opiniões, que hoje reprovo sem reservas, são válidas no contexto geral das regras do Islão.
Se o país quiser fazer frente aos extremistas, os eruditos muçulmanos deverão voltar a mergulhar nos textos e propor um cânone repensado, uma nova interpretação dos direitos e responsabilidades dos muçulmanos. Talvez venhamos a descobrir que o conceito de assassínio pelo Islão não passa de um anacronismo.
Hassan Butt
Ex-membro do grupo Al-Muhajiroun, fundado por Ornar Bakri Mohammed. Defensor das «acções mártires» durante muito tempo, hoje renunciou à violência.
Na sequência do que disse a filigraana, a malta da Electronic Arts deveria pensar em criar um Sims Imobiliário, para aqueles que só querem fazer casinhas. Imaginem, que sonho, um jogo em que o objectivo era fazer casas, decorá-las com gosto e depois vendê-las, por preços irrisórios, para o bem da comunidade. Vendo bem, se calhar poderia chamar-se Sims EPUL.
Albert Hammond, Jr. - Yours to keep
Amiina - AminanimA (o novo Kurr também parece muito bom)
Beirut - Lon Gisland EP
Estrella Morente - Mujeres
Explosions in the Sky - All of a Sudden I Miss Everyone
Godspeed You! Black Emperor - Yanqui U X O
Rufus Wainwright - Release the stars
[juntem esta, esta e ainda mais esta lista e, por fim, esta - todas têm coisinhas bastante recomendáveis]
Quinta-feira, Julho 5 :: 02:56 :: 0 Comentários Amiina - AminanimA (o novo Kurr também parece muito bom)
Beirut - Lon Gisland EP
Estrella Morente - Mujeres
Explosions in the Sky - All of a Sudden I Miss Everyone
Godspeed You! Black Emperor - Yanqui U X O
Rufus Wainwright - Release the stars
[juntem esta, esta e ainda mais esta lista e, por fim, esta - todas têm coisinhas bastante recomendáveis]
O sabonete é um instrumento de limpeza muito mais democrático do que o gel. Enquanto qualquer pessoa pode gastar abusivamente o gel, e preciso um esforço muito maior para gastar abusivamente sabonete. Notem, contudo, que nenhum sistema é perfeito.
Para George Steiner, o seu país é onde lhe disponibilizarem uma mesa (de trabalho).
Eu disponibilizo uma mesa (de trabalho) a George Steiner em minha casa.
logo,
A minha casa é o país de George Steiner.
:: 14:11 :: 0 Comentários Eu disponibilizo uma mesa (de trabalho) a George Steiner em minha casa.
logo,
A minha casa é o país de George Steiner.
O trabalho dos anjos com Deus será subordinado? Consideremos alguns indícios:
Local (parece irrelevante. Se é um preciso um milagre no Médio-Oriente, o anjo poderá executá-lo noutro lado?)
Horário (também irrelevante no caso sub judice. Os anjos têm isenção de horário de trabalho.)
Meios de produção (poderão usar milagres próprios ou em comissão? Relevância das asas.)
Cláusula de substituição (por exemplo, Metraton poderá fazer-se substituir por Miguel, em caso de rouquidão?)
Modalidade de retribuição (lugar no céu?)
Local (parece irrelevante. Se é um preciso um milagre no Médio-Oriente, o anjo poderá executá-lo noutro lado?)
Horário (também irrelevante no caso sub judice. Os anjos têm isenção de horário de trabalho.)
Meios de produção (poderão usar milagres próprios ou em comissão? Relevância das asas.)
Cláusula de substituição (por exemplo, Metraton poderá fazer-se substituir por Miguel, em caso de rouquidão?)
Modalidade de retribuição (lugar no céu?)
Exclusividade (o primeiro que tentou ganhou um par de cornos.)
A High Line, um dos mais impressionantes cemitérios urbanos, vai agora ser requalificada, segundo nos conta o blog da Trienal. A linha ferroviária que se eleva em Manhattan, Nova Iorque, está hoje dominada pelas ervas daninhas, que cobrem os carris onde outrora circulavam os comboios da cidade. A recuperação parece brilhante e, certamente, vai criar mais um espaço único em Nova Iorque.
A nova High Line será um gigantesco parque, que pairará e atravessará a cidade. Será uma espécie de nova Babilónia, para onde iremos, quando a Ryanair resolver abrir uma rota para lá.
A nova High Line será um gigantesco parque, que pairará e atravessará a cidade. Será uma espécie de nova Babilónia, para onde iremos, quando a Ryanair resolver abrir uma rota para lá.
É irresistível. Um dos métodos mais usados na publicidade tem sido a contra-publicidade, ou seja, criticar a publicidade na publicidade. Este anúncio, criado por um funcionário da Microsoft, foi inspirado num artigo de David Armano na BusinessWeek, intitulado It's the Conversation Economy, Stupid. Particularmente, adoro a forma paternalista como o advertiser fala, perante o desespero da consumer.
Após marcar um golo de baliza aberta ao meu primo no PES3, num erro colossal da sua defesa, ele reagiu: se tivesses falhado, gozava-te.
Após seguir um link do Público, cheguei a este vídeo. Ia embedá-lo mas já vi que a filigraana o fez.
Note caro[a] leitor[a], o que Mika Brzezinski fez foi o maior acto de luta contra o tédio desde a Revolução Francesa. Talvez pudesse ser qualificado como uma revolução, acabando com trezentos anos de esquecimento.
Note caro[a] leitor[a], o que Mika Brzezinski fez foi o maior acto de luta contra o tédio desde a Revolução Francesa. Talvez pudesse ser qualificado como uma revolução, acabando com trezentos anos de esquecimento.


